Meditação é aliada de escolas para melhorar a atenção e lidar com as emoções

Com foco no desenvolvimento integral dos alunos, prática reduz o estresse, promove empatia e fortalece a cultura de paz

As aulas da professora de educação física Rosângela Martins dos Santos, na Escola Básica Municipal Henrique Veras, em Florianópolis (SC), começam com cinco a dez minutos de meditação. Os estudantes se sentam em posição confortável, com a coluna reta, unem o polegar e o indicador ou espalmam as mãos sobre o rosto com os olhos fechados e fazem respirações. Depois, falam em voz alta as frases: “eu estou em paz, minha família e meus amigos estão em paz, a nossa escola está em paz, o lugar onde eu moro está em paz, o nosso país e o nosso planeta estão em paz”.

O ritual se repete há mais de dez anos dos quase 30 anos de atuação de Rosângela no magistério. “Percebi que eles modificam o relacionamento consigo mesmos, com os colegas e comigo. Tenho mais colaboração deles e são mais afetuosos. Temos uma comunicação não violenta, amorosa, um convívio com mais carinho e compreensão”, explica Rosângela.

A professora apresenta a prática aos pais dos alunos todo início de ano. Eles questionam se a meditação tem algum viés religioso. Ela explica que não, que o foco é criar um ambiente de paz na escola. “Uma mãe me disse que o filho, antes de entregar um copo de água para ela, segurou com as duas mãos, falou as frases que aprendeu na meditação e disse que a água ia ficar com uma energia boa. Ela disse que se sentiu muito bem em ver o filho falar coisas boas”, conta a educadora.

Eric da Silveira, 9, aluno de Rosângela, conta que se sente relaxado, em um lugar silencioso e bom, quando faz a meditação. “Sinto uma coisa muito boa no coração”, diz o estudante. Maria Clara Silveira, 12, medita desde os dez anos. “Quando estou estressada é muito bom, eu me acalmo, fico relaxada”, afirma.

Rosângela diz que a meditação é bem aceita pela direção da escola e pelos professores, que fazem a prática antes de iniciar reuniões pedagógicas. A educadora usa como base o programa da ONG Mente Viva, que oferece conteúdo educativo gratuito sobre práticas e exercícios meditativos.

O programa já foi aplicado a mais de 42 mil crianças no Brasil e no mundo, desde 2007, de acordo com Paulo Moura, coordenador da organização. “O trabalho visa a paz interior e o desenvolvimento do ser humano de forma integral.” O conteúdo inclui explicações sobre como fazer exercícios meditativos, cognitivos e emocionais. Há material em formato de livro, de áudio e de vídeo. Para receber, basta fazer um cadastro no site.

Com uso de música clássica ou instrumental, o educador medita com os estudantes e faz exercícios de respiração. Podem conversar também sobre as características de um animal, de uma planta, de um tipo de pedra ou de outro elemento da natureza. O dia do leão, por exemplo, fala sobre força, autoestima e autoimagem. “Tem ligação com o meio ambiente, para que eles aprendam a respeitar todas as criaturas, a cuidar bem do planeta, a buscar equilíbrio e harmonia. Trabalha a respiração, tentando estabelecer um mundo melhor fora e dentro”, diz Paulo.

De acordo com o coordenador, os resultados, como empatia, respeito, equilíbrio e participação aparecem em 20 dias a dois meses. “As crianças passam a ter mais alegria, a ser mais cordiais e a ter um ritual de amor.”

Equilíbrio emocional
Em São Paulo, Daniela Degani abandonou a carreira na área de marketing para se dedicar ao ensino de meditação. Formou-se nos Estados Unidos, na Mindful Schools, organização que integra a atenção plena (conhecida como mindfulness, em inglês) ao dia a dia escolar, e criou a MindKids, que ensina a prática para crianças, adolescentes, professores e pais.

Ela explica que a meditação tem origem nas práticas contemplativas milenares. “No Oriente, passou de geração em geração. Quando chegou ao Ocidente, na década de 1970, a comunidade científica começou a estudar e a mensurar os benefícios”, diz Daniela.

Os estudos mostraram, de acordo com ela, que a prática ajuda a fortalecer a habilidade de sustentar a atenção por mais tempo, a lidar com as emoções e a manter o equilíbrio emocional. “Traz bem-estar, calma, reduz o estresse. Além disso, tem efeitos na área da empatia e da compaixão. Quando a gente está mais atento, mais presente, se familiariza com os próprios sentimentos. Toma consciência do mundo interno, está mais antenado aos sentimentos das outras pessoas. Percebe que não é tão diferente dos outros.” Continue lendo esse artigo…

Fonte e texto: http://porvir.org/

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